Você trabalha pra viver, pra valer ou pra ser?
A humanidade já teve três relações bem diferentes com o trabalho. E a que você vive por dentro, hoje, diz muito mais sobre você do que sobre o seu emprego.
A relação humana com o trabalho passou por três grandes ondas. Na primeira, trabalhava-se para viver — pura sobrevivência. Na segunda, para valer — status, cargo, o lugar na hierarquia, o reconhecimento dos outros. Na terceira, que só começa a despontar, para ser — expressar quem se é, viver um propósito.
O conflito que quase todo mundo sente
A Virtologia, de Eduardo Casarotto, mostra que essas ondas não ficaram no passado — elas convivem dentro de cada um. Boa parte do mal-estar com o trabalho vem de estar rachado entre elas: uma parte sua quer expressar algo verdadeiro, e outra ainda corre atrás de provar valor, de vencer a comparação, de não ficar para trás. É esse cabo de guerra interno que cansa, não só a carga de tarefas.
A passagem
A boa notícia é que dá para atravessar. A passagem para a terceira onda não é largar tudo e “ir atrás do propósito” — é um amadurecimento por dentro, em que o valor deixa de depender da comparação e a ação passa a nascer de quem você é. Quem faz essa travessia não trabalha necessariamente menos. Trabalha mais inteiro.