Você ama o outro — ou precisa dele?
A gente guarda cada pessoa da vida num lugar diferente: do centro, onde mostramos tudo, à borda, onde só cabe a máscara. Onde você consegue (ou não) tirar a máscara diz muito sobre você.
Repare: você não se mostra igual para todo mundo. Tem quem possa ver o seu choro, e tem quem só conheça o seu sorriso ensaiado. Tem quem saiba dos seus medos, e tem quem só saiba o seu nome. A gente organiza as pessoas em círculos — do mais íntimo ao mais distante — e, quanto mais longe do centro, mais máscara e menos entrega.
A máscara não é o problema
Usar máscara com um desconhecido é saudável — seria imprudente abrir as vísceras para qualquer um. A Virtologia, de Eduardo Casarotto, mostra que o problema aparece quando a máscara vira armadura permanente: quando a pessoa já não consegue baixá-la nem no centro, com quem deveria amar. Aí o lugar onde você consegue, ou não, tirar a máscara passa a revelar o estado de algo mais profundo.
Dois jeitos de adoecer
Um é viver só nas bordas: muitos conhecidos, nenhum íntimo. É a sociabilidade como armadura — companhia de sobra e solidão por dentro. O outro é viver só no centro, com o mundo lá fora virando terreno hostil. Nos dois casos, a diferença entre amar e precisar aparece: amar é se mover na direção do outro por inteiro; precisar é usar o outro para não sentir a própria falta.
A boa notícia é que isso não é um traço fixo da sua personalidade. É um mapa — e mapas podem ser redesenhados.