O que o seu corpo sabe e a sua mente nega
A dor de estômago antes daquela reunião. O aperto no peito que aparece sempre com a mesma pessoa. O corpo fala o que a cabeça insiste em não ouvir.
A reunião ainda nem começou e o estômago já embrulhou. Aquela pessoa entra na sala e o peito aperta. Você diz que “está tudo bem” — mas o corpo discorda, em voz alta, do jeito dele. E a gente costuma tratar o sintoma como inimigo, quando ele é, na verdade, um mensageiro.
O sintoma é um recado
A Virtologia, de Eduardo Casarotto, lê o sintoma não como um defeito a calar, mas como uma solução que o corpo encontrou pra lidar com algo que a mente não quis encarar. O corpo traduz em sensação o conflito que a cabeça nega: a tensão vira dor, a angústia vira aperto, o que não foi dito vira nó na garganta. Ignorar isso não resolve — o recado só chega mais alto da próxima vez.
Escutar sem virar refém
Escutar o corpo não é se assustar com cada sinal, nem virar refém dele. É usá-lo como bússola: quando o mesmo sintoma aparece sempre na mesma situação, ele está apontando pra onde olhar. O caminho não é só tratar o corpo — é entender a ideia, o medo, o conflito que ele está carregando por você. Quando a mente finalmente encara o que negava, o corpo, muitas vezes, pode enfim baixar a voz.